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Café

Pesquisador Responsável: Celso Luis Rodrigues Vegro

Café

Concentra-se na espécie arábica a produção paulista de café. Com pouco mais de 210 mil hectares cultivados dessa lavoura, conduzidos por cerca de 16 mil cafeicultores, os talhões se distribuem por cinco principais cinturões: Alta Mogiana de Franca; Mantiqueira de São João da Boa Vista; Espigão Garça/Marília; Sudoeste de Ourinhos e Mantiqueira de Bragança Paulista. A cafeicultura paulista ocupa o terceiro lugar no ranking nacional dos maiores estados produtores de café, elevando-se para a vice-liderança quando contabilizada apenas a produção de arábica.

Comparando-se os resultados dos dois últimos Levantamento Censitário das Unidades de Produção - LUPA, conduzidos em 1995 e 2006/07, constatou-se que nesse período houve incremento da especialização produtiva nas regiões que encontraram vocação para a lavoura cafeeira (Figura 1), fenômeno esse que provavelmente deve ter se intensificado ainda mais na atualidade.

A fisiologia do cafeeiro impõe tipicidade a produção, exibindo ciclos bienais em termos de quantidades colhidas. Assim, a safra paulista oscila entre em torno das4,5 milhões de sacas de 60kg de café beneficiado, para mais ou para menos,a depender a fase do ciclo em que se encontra a maior parte das lavouras.

Informações colhidas e sistematizadas pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), contabilizou que, em 2014, o valor da produção de café no Estado de São Paulo foi de R$1,69 bilhão, representando variação de 47,4% frente ao apurado no ano anterior. Tal evolução refletiu tanto a expansão de 6,0% da produção quanto de 38,6% no preço médio recebido pelos cafeicultores paulistas.

Qualidade e produtividade são também destaques da cafeicultura paulista. Cafeicultores da região de Ourinhos conquistaram o primeiro e terceiro lugares na última premiação nacional da illycaffè, tradicional torrefadora italiana internacionalmente reconhecida pela excelência de seu produto. Ademais, o caráter essencialmente empresarial da gestão das lavouras paulistas, associada ao patamar tecnológico nelas empregado, permite-se obter a mais elevada produtividade média do país o que fortalece a competitividade do segmento frente a outras opções de cultivos e criações conduzidas no Estado.

Ainda que a liderança da produção pertença a outros Estados, concentra São Paulo a maior parte dos negócios envolvendo a bebida. Pelo Porto de Santos, escoa-se mais de 80% dos embarques internacionais do produto situando-se também nessa cidade a maior parte das principais empresas exportadoras do Brasil. Processando cerca de 5 milhões de sacas ao ano, a indústria torrefadora paulista supre a demanda do mercado estadual e ainda atende outras unidades da federação. Houve encolhimento nas unidades de produção de café solúvel, mas ainda conta com duas unidades desse segmento.

O hábito de consumo da bebida é fortemente arraigado entre os paulistas e paulistanos. Dentre os empreendimentos privados um dos que mais prospera e se dissemina é o ramo das cafeterias. Nos últimos anos o leque de bebidas à base de café preparadas nesses estabelecimentos se diversificou enormemente, atraindo para esse hábito de consumo a fração mais jovem da população.

Considerando apreciadores e estabelecimentos que servem a bebida, acrescido do consumo que ocorre no lar, a taxa de crescimento média da demanda por café tem registrado percentuais entre 3% e 4% ao ano, sendo que no segmento de cápsulas essa taxa é de dois dígitos, demonstrando o dinamismo desse mercado.

A atual safra cafeeira 2015/16 tem sido caracterizada por grande controvérsia em relação à produção esperada. Enquanto cafeicultores e técnicos atuantes na cultura estimam colheita próxima da que foi contabilizada em 2014/15 (46 milhões de sacas), exportadores, empresas traders, consultores de fundos de investimento acreditam que a quantidade colhida se aproxime das 50 milhões de sacas. Tal disparidade tem intensificado a volatilidade nas cotações do produto, prejudicando os cafeicultores e suas famílias pois a ampla flutuação nos preços impede-os de elaborar cenários futuros para o negócio.

A segunda estimativa de safra de café para o Estado de São Paulo, levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), prevê que a colheita alcance os 3,95 milhões de sacas de 60kg de café beneficiado, representando redução de 14% frente a safra 2014/15. Essa queda reflete os danos causados pela anomalia climática que afetou severamente os reservatórios empregados tanto para abastecimento urbano quanto para geração de energia.

Nos últimos doze meses, a média dos preços recebidos pelos cafeicultores exibem elevação de 6,91%, enquanto em 2015 contabiliza queda 1,03% no quadrimestre. Em abril a média dos preços recebidos registrou o valor de R$448,99/sc pelo tipo 6 bebida dura, ede R$482,49/sc para o cereja descascado (de melhor qualidade).